Marcelo Jeneci quer festa em disco em que traz Leandro & Leonardo, Marília Mendonça e Exaltasamba para o forró

  • 16/05/2024
(Foto: Reprodução)
Artista reúne João Gomes, Gaby Amarantos e Chico César em ‘Night clube forró latino’, álbum em que o cantor e sanfoneiro busca apelo popular. Marcelo Jeneci regrava hit de Pabllo Vittar, ‘Amor de que’, em ritmo de xote com João Gomes no álbum ‘Night clube forró latino – Volume I’ Hugo Sá / Divulgação Capa do álbum ‘Night clube forró latino – Volume I’, de Marcelo Jeneci Hugo Sá Resenha de álbum Título: Night clube forró latino – Volume I Artista: Marcelo Jeneci Edição: Edição independente de Marcelo Jeneci Cotação: ★ ★ ★ 1/2 “Comigo, nas boates e nos night clubes latinos, de Pabllo Vittar a Luiz Gonzaga, de Caetano Veloso à maravilhosa (Marília) Mendonça, é tudo forró”. ♪ O trecho final do texto falado por Marcelo Jeneci no quinto álbum de estúdio do artista – Night clube forró latino – Volume I, no mundo a partir de amanhã, 17 de maio – soa como álibi que justifica o conceito do disco. Night clube forró latino é álbum de intérprete como o antecessor Caravana Sairé (2023). Ambos estão enraizados na vivência nordestina deste cantor, compositor, tecladista e sanfoneiro paulistano criado entre Guaianases – periférico bairro da zona leste da cidade de São Paulo (SP) – e o agreste de Pernambuco. “Eu me criei entre sanfonas e equipamentos eletrônicos. Meu pai, seu Manoel Jeneci, de Sairé, era o maior eletrificador de sanfona do Brasil! Do nordeste para o Brasil. Foi então que recebi de um amigo dele meu primeiro fole. Que presente, Dominguinhos... Daí em diante virei músico, sanfoneiro”, (se) situa o artista no início do texto apresentado na faixa falada intitulada Jeneci por Jeneci. Alocado na quarta das sete faixas do primeiro volume do álbum Night clube forró latino, o texto funciona como salvo-conduto que permite a Jeneci transitar por repertórios de diversos artistas e segmentos sem tirar os pés do nordeste do Brasil. A rigor, é melancólico ver que um dos compositores brasileiros mais inspirados do século XXI – como atestado nos estupendos dois primeiros álbuns do artista, Feito pra acabar (2010) e De graça (2013) – venha se dedicando a discos de intérprete, por melhores que sejam esses discos. Dito isso, é justo reconhecer que há acertos em Night clube forró latino, disco de assumido apelo popular, feito para tocar nas baladas, no rádio – veículo ainda potente nos interiores do Brasil – e em playlists festivas. Selecionado por Marcelo Jeneci (sanfona, baixo synth, órgão, teclados, voz e vocais) com Juba Araújo (congas, bongô, timbales, guiro, reco-reco, triângulo, clave e shake), Luiz Araújo (baixo), Helder Lopes e Marcel Klenn, o repertório de Night clube forró latino – Volume I é formado por sucessos de Pabllo Vittar, Marília Mendonça (1995 – 2021), Exaltasamba, Leandro & Leonardo, Cassiano (1943 – 2021) e Edson Gomes. Deste artista baiano, um dos expoentes do reggae no Brasil, Jeneci faz Árvore (Edson Gomes, 1991) frutificar – com a adesão vocal de Chico César e o toque de um três cubano, a cargo de Ed Woski – entre o xote, o reggae à moda do Maranhão e a cumbia, gênero típico da Colômbia. Outro destaque é a abordagem de Amor de que (Rodrigo Gorky, Zebu, Pablo Bispo, Maffalda e Arthur Marques, 2019). O hit do terceiro álbum de estúdio de Pabllo Vittar já traz o D.N.A. forrozeiro no registro original da cantora. Em Night clube forró latino, Amor de que flui bem na cadência serena do xote, com toque de bachata, em gravação que une a voz de Jeneci ao canto grave de João Gomes. Também sobressalente é a leitura de Um sonhador (César Augusto e Piska, 1998), hit do álbum póstumo de Leandro & Leonardo. Em vez do tom lacrimoso do canto da dupla, Jeneci expõe o clima solar, esperançoso, da letra em gravação de pegada forrozeira. Em contrapartida, a balada-soul A lua e eu (Cassiano e Paulo Zdanowski, 1975) perde o brilho e alma em abordagem que dissipa, na levada de xote, a melancolia da letra propagada há quase 50 anos na voz de Cassiano, mestre do soul brasileiro. Trata-se de música inadequada para disco que se pretende festivo. Da mesma forma, o registro de Eu e você sempre (Jorge Aragão e Flávio Cardoso, 2000) atenua a força desse grande samba lançado pelo grupo de pagode Exaltasamba e até hoje cantado em shows por vários intérpretes. Completa o repertório do disco o sucesso sertanejo Eu sei de cor (Danillo Davilla, Elcio di Carvalho, Lari Ferreira e Junior Pepato, 2016), música que se tornou hit instantâneo na voz de Marília Mendonça mesmo sem ter sido composta pela artista. “Me dê licença, Marília”, pede Gaby Amarantos antes de começar a cantar os primeiros versos da música, revivida entre o xote e o brega em gravação em que a voz de Jeneci é ouvida somente na segunda metade da boa faixa. Gravado sob direção artística de Helder Lopes, o disco Night clube forró latino – Volume I tem produção musical assinada por Jeneci com Luiz Aráujo e Marcel Klenn. O apuro instrumental é garantido pelos toques de músicos como Mestre Bastos (zabumba) e Mestre Zé Gago (pratos). Enfim, mesmo que eventualmente resulte menos feliz, o forró latino de Marcelo Jeneci tem bom acabamento e geralmente consegue a empatia pretendida. Ainda assim, paira a sensação de que o artista tem talento para fazer discos mais ambiciosos...

FONTE: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2024/05/16/marcelo-jeneci-quer-festa-em-disco-em-que-traz-leandro-and-leonardo-marilia-mendonca-e-exaltasamba-para-o-forro.ghtml


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